Insira seus filhos no mundo das finanças

Inspirada por um filme, duas vezes por mês, a dona de casa Selma Lee leva os filhos Henrique, 8, e Guilherme, 6, para venderem sucata no bairro, em São Paulo.

Eles juntam os objetos, colocam no carro e ganham cerca R$ 3 ao todo. “É para perceberem como é difícil ganhar dinheiro”, diz. De todo dinheiro que recebem –incluindo de familiares–, 80% a mãe investe e 20% guarda para os filhos fazerem as compras de fim do ano.

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O exemplo de Selma é uma das formas de inserir as crianças no mundo da finanças. Isso deve ser feito, segundo os educadores financeiros, a partir dos dois ou três anos.

“Quando a criança começa a pedir que os pais comprem coisas, ela percebeu, suavemente, que o dinheiro existe e que pode ser trocado”, diz a educadora financeira Cássia D’Aquino.

A partir dos três anos, é importante familiarizar a criança com o mundo do dinheiro e mostrar que é preciso esperar para realizar os desejos.

Para isso, pode-se usar métodos como dizer uma vez ou outra “isto está caro” ou “está barato”. Um cofrinho, um calendário e moedas também podem ajudar.

“Você tem que mostrar ‘esse é o seu sonho’ –um doce, por exemplo. Vamos ver no porquinho se a gente já juntou o suficiente. E você vai com as moedinhas comprar um doce junto com ela. Ela vai ver que porquinho cheio é igual a um sonho realizado”, diz o educador financeiro Mauro Calil.

Segundo Cássia, atitudes como chamar a criança para participar da lista de supermercado mostra que os pais planejam o uso do dinheiro.

Por volta dos sete anos, a mesada –ou semanada– é um instrumento importante. Para Cássia, até os 11 anos, o ideal são as semanadas.

O antropólogo Cássio de Sousa decidiu dar mesada para os três filhos quando se mudou para Brasília e as crianças começaram a pedir muitos brinquedos.

“A gente ia para o shopping e tudo que eles pegavam na loja não dava comprar. Acabavam gastando com qualquer tranqueira. Então a gente explicou, ‘olha, se vocês gastarem tudo, nunca vão ter R$ 50”, conta. O acompanhamento da criança quando se dá o instrumento financeiro é fundamental.

O valor deve ser estipulado com o filho, fazendo um orçamento do que ele gasta, sem esquecer de reservar uma parte para um sonho de curto prazo da criança. E uma falência é até desejável.

Trocar presentes por dinheiro em datas comemorativas causa divergências: alguns educadores dizem que a demonstração de afeto é importante nesses momentos.

INVESTIMENTOS

Os educadores dizem que é fundamental fazer um investimento para a criança logo que ela nasce. Para os mais conservadores, uma poupança ou uma previdência privada. Quem tem algum conhecimento, pode fazer uma carteira de ações, já que as crianças contam com longo prazo.

A criança deve saber que existe uma reserva para seu futuro e, à medida que ficar financeiramente educada, a aplicação pode se tornar mais clara até a adolescência, quando a gestão pode ser compartilhada.

Folha de São Paulo | Outubro | Maria Paula Autran

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