Jornal Hoje em Dia publica matéria com entrevista de Diretora do Banco Intermedium

O Banco Central detonou uma verdadeira guerra entre bancos pequenos e grandes ao proibir, na semana passada, os contratos de exclusividade na oferta de crédito consignado. Os contratos de exclusividade eram normalmente fechados por prefeituras, órgãos públicos e empresas públicas e privadas para oferta de consignado aos seus empregados.

A expectativa dos pequenos bancos é avançar sobre a fatia de clientes que até então estavam amarrados aos contratos de exclusividade com o líder Banco do Brasil e com o BMG, de porte médio, mas grande no segmento de consignado. Investimentos na criação de ferramentas de acesso do consumidor e em atendimento diferenciado e diminuição das taxas de juros fazem parte da estratégia para alcançar esse objetivo.

O Banco Intermedium é um dos que já se prepara para entrar na disputa por novos clientes. Segundo a diretora comercial da área de varejo do banco, Virgínia Cançado, as regras antigas impunham dificuldades à concorrência com os líderes do mercado. Mas, agora, a expectativa é de mudança nesse cenário.

Sede do Banco Intermedium em Belo Horizonte

“Só os grandes bancos tinham condições de comprar exclusividade de operação, porque eles antecipavam recursos. Com a queda dessa exclusividade acaba o monopólio, abrindo espaço para os menores”, afirma. Ela diz que a empresa já traça planos para ultrapassar os 20 mil créditos consignados que disponibiliza anualmente.

A estratégia da empresa estará focada nas facilidades apresentadas aos consumidores, como acesso ao crédito via internet. Para isso, a página da empresa na rede vai ser atualizada. Atualmente apenas 5% das transações de crédito consignado são feitas pela internet, mas o objetivo é aumentar esses números.

Virgínia acredita que, num primeiro momento, as taxas de juros não devam ser alteradas mas, com o tempo, ela admite que há grandes chances disso acontecer. “Por agora é mais difícil baixar as taxas de juros em função das medidas do BC tentando impedir a inflação.

Por enquanto temos uma tendência de contenção. Mas quando o mercado estiver mais estável é óbvio que a livre concorrência vai falar mais alto”, avalia.

O BIC Banco atua no mercado mineiro oferecendo crédito consignado há 10 anos e atualmente não tem nenhum contrato com servidores. Mas agora que caiu a exclusividade, a expectativa da instituição é a de conseguir uma fatia de pelo menos 4% da carteira total do Estado.

Para isso, segundo o diretor de varejo, José Carlos Alves, a instituição deve contratar profissionais para atuarem na captação de novos clientes. “Vamos tentar desbancar a concorrência oferecendo agilidade, rapidez, facilidade na aprovação do empréstimo, sem burocracia e com uma taxa de juros atrativa”, garante.

Taxa e atendimento serão diferencial

O Banco Bonsucesso também vê com bons olhos a mudança nas regras no consignado. Ele fecha aproximadamente 1 milhão de contratos de empréstimos consignados por ano e estima um incremento de 10% nesses números a partir deste ano.

O vice-presidente da empresa, Gabriel Pentagna Guimarães, defende, inclusive, a revisão da exclusividade nos contratos firmados antes da medida do BC.

Para ele, a iniciativa é positiva também para os servidores que vão poder escolher a instituição que tiver a melhor taxa de juros. “Se o banco tem exclusividade, porque ele vai cobrar barato? Agora, disputarão em pé de igualdade com a concorrência. Os que tiverem as melhores taxas, atendimentos e vantagens para os clientes é que vão ganhar espaço”, afirma.

Para o professor de finanças do Ibmec, Eduardo Senra Coutinho, a medida abriu portas para os bancos menores, mas alerta que não será fácil ocupar espaços maiores. “Temos que ver se de fato a concorrência vai se fazer valer. O sistema está tão acostumado a certas instituições que elas continuam sendo as opções mais procuradas. Tudo depende da qualidade do serviço que será oferecido”, avalia.

Ele adverte que as pessoas tenham cautela antes de optarem por um crédito consignado. “É importante avaliar a taxa que será cobrada e o valor das prestações para não se endividar além do que seria saudável”, aconselha.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos mostrou ser favorável a medida do BC. “A Febraban, em aderência aos seus valores institucionais, considera saudável medidas que estimulem e favoreçam a concorrência nos mercados financeiros”, afirma a nota.
Procurados pela reportagem, os representantes do Banco BMG não comentaram o assunto.

Fonte: HojeemDia.com.br

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