“O negócio tá devagar, mas pelo menos não pago aluguel”. Isto será mesmo bom?

Por Wlademir Aguiar Piva

“O negócio tá devagar, mas pelo menos não pago aluguel”. Até quanto este argumento prejudica sua empresa? O imobilizado da sua empresa que não está relacionado diretamente com seu Core Business pode ser transformado em capital de giro ou investimentos para aumento da produção e outros projetos.

Em 1998 eu trabalhava em uma concessionária de energia elétrica quando ela foi privatizada. Meus novos “patrões”, a Enron Corporation, adotaram uma estratégia para geração de capital de giro até então pouco divulgada no Brasil: a conversão do imobilizado em disponibilidades, ou seja, transformar os ativos que não possuíam liquidez imediata em dinheiro em espécie ou direitos de alta liquidez, a fim de poder utilizá-los operacionalmente em médio e curto prazo.

Na época, minha empresa atendia 238 cidades, sendo que havia prédios próprios em cada uma delas para acomodar suas equipes e instalações. Portanto, o patrimônio da organização era enorme, porém cerca de 80% encontrava-se no ativo permanente, acarretando dificuldades para o cumprimento das obrigações de curto e médio prazo.

A solução foi vender os prédios em cada cidade mediante contrato em que o valor seria aquém do mercado, mas sob a condição de que o comprador deveria construir novas instalações com o padrão da empresa e alugar à concessionária por 30 anos.

Desta forma, a organização garantiu recursos para investir em seus postes e equipamentos, além do cumprimento de suas obrigações, sem recorrer a linhas de créditos. Por outro lado, o novo proprietário comprou um imóvel por um preço abaixo do mercado e ainda garantiu um inquilino fiel e adimplente por 30 anos. O serviço de fornecimento de energia elétrica foi melhorado devido aos investimentos e todos os stakeholders foram beneficiados.

Assim como a Enron, as empresas devem procurar novas formas para captação de recursos no que tange o suprimento de capital de giro e investimentos. A adoção de empréstimos tornou-se tão rotineira que em um trabalho de TCC recente que orientei, os entrevistados confundiam capital de giro com limite do cheque especial e linhas de créditos pré-aprovadas que os bancos concediam.

Considerando a afirmação de Masakasu Hoji de que “o capital de giro é conhecido também como capital circulante e corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional”, pode-se concluir que o capital de giro é que autofinancia o core business da organização, ou seja, sua atividade principal. Portanto, recursos que não agregavam valor para a concessionária de energia elétrica, foram transformados em investimentos para suas linhas de transmissão de eletricidade e equipamentos, além de incrementar o capital de giro.

Quantas histórias ouvem-se de empresários que compraram um prédio para a sede de sua empresa em um local errado e tempos depois fecharam suas portas? Se houvessem locado o imóvel, provavelmente perceberiam outro local apropriado para seu negócio e se reinstalariam próximo ao seu cliente. Claro que uma boa pesquisa de mercado evitaria este recomeço, mas não faz parte da cultura empreendedora brasileira tal atitude.

Portanto, muitas vezes a sensação de segurança em se ter uma “sede própria” pode ser uma armadilha para a perenidade da empresa, haja vista que o prédio não é o objetivo principal da organização, mas sim a venda se seu produto ou serviço e a proximidade com seu cliente.

 

Fonte: Administradores.com.br

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