Bancos mineiros saem ilesos da crise financeira

Boa gestão e operações de baixo risco têm garantido às instituições as melhores notas na avaliação de agências

Nem mesmo a crise financeira de 2008 e 2009, que afetou especialmente o sistema financeiro de diversos países no mundo, foi suficiente para atrapalhar a estabilidade dos bancos de Minas Gerais, todos de pequeno ou médio porte. O Banco Rural é a exceção. Ele recebeu, há pouco mais de uma semana, nota E+, a segunda menor da escala da agência de avaliação de risco Moody’s. Os demais mantiveram a classificação entre as letras B e A, as melhores do mercado. Boa gestão, realização de operações de crédito de baixo risco e a cessão de carteiras de empréstimos às grandes instituições financeiras são alguns dos motivos que explicam esse desempenho.
O Intermedium acaba de receber o relatório do Risk Bank, com data de março de 2010. Conforme o sistema de classificação de risco bancário, a instituição está na posição 80 no ranking geral dos bancos por ele avaliados, com índice 9,65. O resultado reflete uma evolução. Em setembro de 2009, a nota era 9,01. E, em dezembro, subiu para 9,48. Nas duas análises, o banco estava nas posições 98 e 85 do ranking, respectivamente. A classificação, de uma maneira geral, serve de parâmetro para investidores mais qualificados decidirem para onde direcionar seus investimentos. E são importantes para as captações de recursos no exterior.
O documento do Risk Bank destaca a adequada liquidez e a baixa alavancagem do Intermedium, apesar de seu pequeno porte. Isso se reflete em um “confortável índice de Basileia (29,29%)”. O indicador mede, basicamente, a relação entre o capital da instituição e o volume de recursos emprestado. Ou seja, a solvência do banco. Além disso, a empresa vem mudando gradualmente sua carteira de ativos de crédito. Hoje o empréstimo consignado, considerado de baixíssimo risco de inadimplência, representa 67% do portfólio. O restante é dividido entre capital de giro para pessoa jurídica (21)% e financiamento imobiliário. Este último em ascensão.
Em boa situação também está o BMG. O Comitê de Classificação de Risco da Austin Rating reafirmou a nota de crédito de longo prazo A+ e a classificação A-2, de curto prazo, para a instituição. O resultado é de 10 de junho. Já o Risk Bank atribuiu, em maio, o índice 10,72. No ranking geral, o banco estava, na época, na 25ª posição. As avaliações atribuídas por outras agências, como Moody’s, Standart and Poor’s e Fitch Ratings, variam entre Ba2 e A+. Elas ressaltam a solidez financeira e o baixo risco da empresa, atualmente líder nacional em liberação de crédito consignado, com, aproximadamente, 20% das operações totais do mercado.
O Banco Semear tem nota 9,81 (A), dada pelo Risk Bank, em dezembro do ano passado. Isso o deixava em 78º lugar no ranking geral da agência de classificação. A instituição, conforme o relatório, teve lucro operacional significativo em 2009, apresenta adequada condição de liquidez e um bom perfil da clientela de CDB. Os dados do Bonsucesso são mais antigos. Em maio de 2009, período ainda impactado pela crise mundial, a Fitch Ratings atribui nota à instituição, enquanto a Austin Ratings, em abril, classificou o banco com A-. O Mercantil do Brasil não informou suas avaliações.
Os bons resultados dos bancos mineiros foram influenciados, principalmente, pela grande clientela do empréstimo consignado, ofertado por praticamente todos eles. “Por isso, de uma maneira geral, têm ótima estabilidade e boa lucratividade”, pontua o analista de mercado Paulo Ângelo Carvalho de Souza. Ele observa que é difícil avaliar o resultado individual de cada banco, pois são instituições de capital fechado. Mas argumenta que, nos últimos anos, conseguiram reduzir custos e sair de operações mais arriscadas. O Intermedium, por exemplo, passou a atuar com letras de crédito imobiliário, muito procuradas no mercado e com boa rentabilidade.
O diretor da Sita Corretora, Sérgio Portela, lembra que a situação dos pequenos e médios bancos do país é hoje favorável, também em função da atuação do Banco Central (BC), durante a crise. “O BC passou a garantir as aplicações de até R$ 20 milhões. Foi determinante, porque tranquilizou todo o mercado”, comenta. Para ele, a manutenção das boas classificações pelas agências de avaliação de risco ainda contribuem para espantar o “fantasma” do Banco Santos. A instituição financeira teve sua falência decretada em 2005, por ter um rombo de R$ 2,2 bilhões. O BC constatou, entre outras irregularidades, que não houve um correto provisionamento de recursos para se proteger de maus pagadores. “Ficou um trauma, mas isso está passando”, pondera Portela.
O diretor executivo de Administração e Finanças do Intermedium, Dauro de Carvalho e Silva, esclarece que os bancos do país se recuperaram rapidamente dos impactos da crise, que, segundo ele, foram pequenos aqui. Hoje já operam com mais liquidez e capacidade de recursos para o mercado. Consequentemente, mais volume de capital para emprestar. A cessão de carteiras, praticada pela maioria das instituições de pequeno porte, é outro ponto de sustentação. “Há um apetite enorme dos grandes bancos, especialmente pelos empréstimos consignados. É um mercado que recrudesceu na crise, com a liberação dos compulsórios. Agora, voltou ao normal”, enfatiza.
A situação do Banco Rural, com baixa classificação pela Moody’s, é um caso à parte. Conforme o relatório, a instituição “deriva de uma franquia bancária em transição, depois de passar por longa reestruturação operacional, iniciada em 2006”. Esse processo teria resultado em redução do balanço do banco e de sua infraestrutura. Sua base de capital foi considerada pequena, concentrada em poucas fontes. O índice de Basileia estava em 12%, pouco acima dos 11% mínimos permitidos pelo BC. Significa que a capacidade de crescimento estaria limitada. Em 2005, o Rural foi envolvido no escândalo do mensalão. A partir daí, iniciou a reestruturação.

Fonte: Hoje em Dia

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